sexta-feira, 14 de março de 2014

MENODORA NA LUTA POR UMA ESCOLA MAIS CIDADÃ


A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação do Brasil (CNTE), aprovou 03 dias de paralisação em todo o País na rede pública de ensino básico (escolas municipais e estaduais), nos dias 17,18 e 19 de Março. Já a Federação dos Trabalhadores em Educação do Estado de Mato Grosso do Sul (FETEMS), depois de avaliar o cenário vivido pela educação em nosso Estado, entendeu que deveríamos paralisar as nossas atividades apenas no dia 19. Por outro lado, o Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação de Dourados (SIMTED), em assembleia extraordinária  aprovou que em Dourados, as escolas públicas municipal e estadual paralisem suas atividades no dia 19, porém, no dia 18, cada escola deve realizar internamente o Dia da Cidadania.
É sobre este dia da Cidadania nas escolas que eu tecerei neste artigo algumas considerações. Esta ação pela cidadania nas escolas públicas do município, no dia 18, tem como objetivo demonstrar a toda população que não só os educadores, mas a sociedade de maneira geral, precisa ter momentos dedicados a reflexão sobre como exercer a cidadania no Século XXI, o qual, em virtude do advento e a popularização bastante intensa da internet, bem como das redes sociais, precisa desenvolver esforços no sentido de pensar como apropriar-se destas tecnologias, instrumentalizando-as para o aprofundamento da democracia participativa.
A escola, em tese, uma instituição que deve ser vanguarda no processo de apropriação e produção de cidadania, do conhecimento, de cultura e lazer, precisa pois, ter momentos dedicados a pensar sobre a melhor forma de atingir a tão nobres objetivos.
Por outro lado, sabemos que os professores, embora sejam trabalhadores intelectuais, acabam tendo um comportamento, não raro, funcionalista, isto é, estão focados na transmissão dos conteúdos programáticos das disciplinas que lecionam e preocupados tão somente em provar que fazem a escola funcionar, abdicando desta forma da sua condição de trabalhador intelectual, que é de pensar o ainda não pensado, de produzir conhecimento e não somente apropriação de conhecimento já produzido pela humanidade.
Penso que precisamos refletir sobre a natureza do fazer pedagógico realizado pelas escolas. Precisamos nos perguntar a quais objetivos devemos perseguir. A construção de uma sociedade superior, fraterna e mais solidária, logo que precisa ser transformada ou fazê-la funcionar tão somente para integrar o aluno à sociedade? Esta indagação nos remete a uma outra indagação. Uma prática na escola que vise tão somente integrar o aluno à sociedade é o suficiente? Penso que não, afinal de contas a sociedade que temos atualmente é muito injusta nos aspectos sociais, econômicos, políticos, tecnológicos e científicos, logo, é imperioso que o trabalho pedagógico na escola deva ser muito mais ambicioso, qual seja, transformá-la para então preparar o aluno para se integrar a mesma, porém, num estágio superior de desenvolvimento.
Preocupados com estes aspectos relacionados, nós os professores da Escola Estadual Menodora Fialho de Figueiredo, nos reunimos e deliberamos que  no dia 18, faremos uma reflexão sobre:
a)      A História da luta pela cidadania no Brasil, desde 1500 até 2014;
b)    Desafios que estão colocados para a Escola Menodora em nosso município, haja vista, contar com alunos oriundos de vários pontos da Cidade e Distritos de Dourados;
c)     Apresentar um pacote reivindicatório para curto, médio e longo prazos;
d)    Como apropriar-se de mecanismos mais eficazes de comunicação interna junto a sua comunidade escolar (pais, alunos e educadores).

Aliás os preparativos para o Dia da Cidadania, já estamos tentando inovar no último item, haja vista que estamos promovendo teleconferências envolvendo alunos, pais  educadores. Também na terça feira estão convidados todos os membros da comunidade escolar (pais, alunos e educadores).
Criamos um conselho editorial provisório encarregado de receber artigos, charges, vídeos para serem publicados na imprensa local, blog e site da escola, bem como na página do Facebook, sob responsabilidade da Escola. Por outro lado, aplicaremos uma avaliação aos alunos, a qual será constituída por perguntas relacionadas com as ciências sociais e da natureza, exatas e de comunicação.
Esta ação não se encerra no dia 18. Na verdade, esta data será de lançamento solene da mesma. Entendemos que precisamos ter perenidade em nossas ações, já que desta forma não estaremos apenas teorizando e sim na busca por associar teoria e prática. Que o conhecimento apropriado e produzido possa ser instrumento para a comunidade escolar intervir como êxito na sociedade e na própria Escola.

*Enio Ribeiro de Oliveira, professor de geografia da rede estadual, na Escola Menodora Fialho de Figueiredo.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Projeção ortográfica

Ela nos apresenta um hemisfério como se o víssemos a grande distância. Os paralelos mantêm seu paralelismo e os meridianos passam pelos pólos, como ocorre na esfera. As terras próximas ao Equador aparecem com forma e áreas corretas, mas os pólos apresentam maior deformação.






Projeção cônica
Nesta projeção os meridianos convergem para os pólos e os paralelos são arcos concêntricos situados a igual distância uns dos outros. São utilizados para mapas de países de latitudes médias.




Projeção de Mollweide


Nesta projeção os paralelos são linhas retas e os meridianos, linhas curvas. Sua área é proporcional à da esfera terrestre, tendo a forma elíptica. As zonas centrais apresentam grande exatidão, tanto em área como em configuração, mas as extremidades apresentam grandes distorções.




Projeção Azimutal
Equidistante Oblíqua Centrada na Cidade de São Paulo


Nesta projeção, centrada em São Paulo, os ângulos azimutais são mantidos a partir da parte central da projeção


PROJEÇÃO DE PETERS

Projeção de Peters

aa

A projeção  de Arno Peters, que data de 1973, é cilíndrica equivalente, e determina uma distribuição dos paralelos com intervalos decrescentes desde o Equador até os pólos, como podemos observar no mapa a seguir.
Projeção Cilíndrica Equivalente de Peters
As retas perpendiculares aos paralelos e as linhas meridianas têm intervalos menores, resultando na representação das massas continentais, um significativo achatamento no sentido Leste-Oeste e a deformação no sentido Norte-Sul, na faixa compreendida entre os paralelos 60o Norte e Sul, e acima destes até os pólos, a impressão de alongamento da Terra

PROJEÇÃO DE MERCATOR



A projeção de Mercator é do tipo conforme, isto é, conserva o formato dos continentes, mas altera a dimensão de suas áreas. Ela divide o planeta em 24 meridianos e 12 paralelos (os mesmos elaborados para estabelecer os fusos horários), igualmente espaçados e distribuídos sobre a camada terrestre.
Assim como toda e qualquer projeção que objetive representar em um plano a esfera terrestre, a carta de Mercator apresenta algumas distorções. Como já dissemos, essas distorções ocorrem no tamanho das áreas dos continentes, de forma que elas se tornam mais evidentes à medida que nos aproximamos dos polos. Observe a projeção abaixo:

Questões:
1) Esta projeção altera a dimensão das áreas dos continentes países, na medida que estão próximos ou localizados nos polos terrestres (Norte e Sul) da Terra. A partir desta constatação, é correto afirmar que:
(I) ao calcularmos as distâncias entre lugares (cidades e regiões), se estes estiverem localizados próximos  ou nos polos, os valores encontrados conterão erros;
(II) permite a confecção dos mapas de foma que cada continente mantenha fielmente a sua forma;
(III) esta projeção é mais simpática aos povos localizados na faixa intertropical, porque ajuda a elevar a auto estima dos mesmos, no que diz respeito ao tamanho em que aparecem nesta projeção;
(IV) esta projeção não tem muito uso no  Planeta, em virtude de ter sido, adotada pela Europa, no período colonial;
(IV) esta projeção reforça a pretensa superioridade econômica e cultural europeia sobre todo o Planeta, menos nos EUA que por ser a primeira potência econômica do Planeta, seguramente não se referencia nos paradigmas europeus.
Estão corretas as alternativas:
(a) I, III, V:  (b) I,II, III, IV e V; (c) I,II;  (d) II,III e IV; (e) IV e V

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

SOCIOLOGIA: etnocentrismo

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O QUE É ETNOCENTRISMO
Everardo Rocha
Etnocentrismo é uma visão do mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo e todos os outros são pensados e sentidos através dos nossos valores, nossos modelos, nossas definições do que é a existência. No plano intelectual, pode ser visto como a dificuldade de pensarmos a diferença; no plano afetivo, como sentimentos de estranheza, medo, hostilidade, etc.
Perguntar sobre o que é etnocentrismo é, pois, indagar sobre um fenômeno onde se misturam tanto elementos intelectuais e racionais quanto elementos emocionais e afetivos. No etnocentrismo, estes dois planos do espírito humano - sentimento e pensamento - vão juntos compondo um fenômeno não apenas fortemente arraigado na história das sociedades como também facilmente
Assim, a colocação central sobre o etnocentrismo pode ser expressa como a procura de sabermos os mecanismos, as formas, os caminhos e razões, enfim, pelos quais tantas e tão profundas distorções se perpetuam nas emoções, pensamentos, imagens e representações que fazemos da vida daqueles que são diferentes de nós. Este problema não é exclusivo de uma determinada época nem de uma única sociedade. Talvez o etnocentrismo seja, dentre os fatos humanos, um daqueles de mais unanimidade.
Como uma espécie de pano de fundo da questão etnocêntrica temos a experiência de um choque cultural.
De um lado, conhecemos um grupo do “eu”, o "nosso" grupo, que come igual, veste igual, gosta de coisas parecidas, conhece problemas do mesmo tipo, acredita nos mesmos deuses, casa igual, mora no mesmo estilo, distribui o poder da mesma forma empresta à vida significados em comum e procede, por muitas maneiras, semelhantemente. Aí então de repente, nos deparamos com um "outro", o grupo do "diferente" que, às vezes, nem sequer faz coisas como as nossas ou quando as faz é de forma tal que não reconhecemos como possíveis. E, mais grave ainda, este “outro” também sobrevive à sua maneira, gosta
dela, também está no mundo e, ainda que diferente, também existe.
Este choque gerador do etnocentrismo nasce, talvez, na constatação das diferenças. Grosso modo, um mal-entendido sociológico. A diferença é ameaçadora porque fere nossa própria identidade cultural. O monólogo etnocêntrico pode, pois, seguir um caminho lógico mais ou menos assim: Como aquele mundo de doidos pode funcionar? Espanto! Como é que eles fazem? Curiosidade perplexa? Eles só podem estar errados ou tudo o que eu sei está errado! Dúvida ameaçadora?! Não, a vida deles não presta, é selvagem, bárbara, primitiva! Decisão hostil!
O grupo do "eu" faz, então, da sua visão a única possível ou, mais discretamente se for o caso, a melhor, a natural, a superior, a certa. O grupo do "outro" fica, nessa lógica, como sendo engraçado, absurdo, anormal ou ininteligível. Este processo resulta num considerável reforço da identidade do "nosso" grupo.
No limite, algumas sociedades chamam-se por nomes que querem dizer "perfeitos", "excelentes" ou, muito simplesmente, "ser humano" e ao "outro", ao estrangeiro, chamam, por vezes, de "macacos da terra" ou "ovos de piolho". De qualquer forma, a sociedade do "eu" é a melhor, a superior. É representada como o espaço da cultura e da civilização por excelência. É onde existe o saber, o trabalho, o progresso.
A sociedade do "outro" é atrasada. É o espaço da natureza. São os selvagens, os bárbaros. São qualquer coisa menos humanos, pois, estes somos nós. O barbarismo evoca a confusão, a desarticulação, a desordem. O Selvagem é o que vem da floresta, da selva que lembra, de alguma maneira, a vida animal.
O outro" é o "aquém" ou o "além", nunca o "igual" ao "eu".
O que importa realmente, neste conjunto de idéias, é o fato de que, no etnocentrismo, uma mesma atitude informa os diferentes grupos. O etnocentrismo não é propriedade, como já disse, de uma única sociedade, apesar de que, na nossa, revestiu-se de um caráter ativista e colonizador com os mais diferentes empreendimentos de conquista e destruição de outros povos.
A atitude etnocêntrica tem, por outro lado, um correlato bastante importante e que talvez seja elucidativo para a compreensão destas maneiras exacerbadas e até cruéis de encarar o "outro". Existe realmente, paralelo à violência que a atitude etnocêntrica encerra, o pressuposto de que o "outro" deva ser alguma coisa que não desfrute da palavra para dizer algo de si mesmo.
Creio que é necessário examinar isto melhor e vou fazê-lo através de uma pequena estória que me parece exemplar.
Ao receber a missão de ir pregar junto aos selvagens um pastor se preparou durante dias para vir ao Brasil e iniciar no Xingu seu trabalho de evangelização e catequese. Muito generoso, comprou para os
selvagens contas, espelhos, pentes, etc.; modesto, comprou para si próprio apenas um moderníssimo
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relógio digital capaz de acender luzes, alarmes, fazer contas, marcar segundos, cronometrar e até dizer a hora sempre absolutamente certa, infalível. Ao chegar, venceu as burocracias inevitáveis e, após alguns meses, encontrava-se em meio às sociedades tribais do Xingu distribuindo seus presentes e sua doutrinação. Tempos depois, fez-se amigo de um índio muito jovem que o acompanhava a todos os lugares de sua pregação e mostrava-se admirado de muitas coisas, especialmente, do barulhento, colorido e estranho objeto que o pastor trazia no pulso e consultava freqüentemente. Um dia, por fim, vencido por insistentes pedidos, o pastor perdeu seu relógio dando-o, meio sem jeito e a contragosto, ao jovem índio.
A surpresa maior estava, porém, por vir. Dias depois, o índio chamou-o apressadamente para mostrarlhe, muito feliz, seu trabalho. Apontando seguidamente o galho superior de uma árvore altíssima nas cercanias da aldeia, o índio fez o pastor divisar, não sem dificuldade, um belo ornamento de penas e contas multicolores tendo no centro o relógio. O índio queria que o pastor compartilhasse a alegria da beleza transmitida por aquele novo e interessante objeto. Quase indistinguível em meio às penas e contas e, ainda por cima, pendurado a vários metros de altura, o relógio, agora mínimo e sem nenhuma função, contemplava o sorriso inevitavelmente amarelo no rosto do pastor. Fora-se o relógio.
Passados mais alguns meses o pastor também se foi de volta para casa. Sua tarefa seguinte era entregar aos superiores seus relatórios e, naquela manhã, dar uma última revisada na comunicação que iria fazer . Em seguida aos seus colegas em congresso sobre evangelização. Seu tema: "A catequese e os selvagens".
Levantou-se, deu uma olhada no relógio novo, quinze para as dez. Era hora de ir. Como que buscando uma inspiração de última hora examinou detalhadamente as paredes do seu escritório.
Nelas, arcos, flechas, tacapes, bordunas, cocares, e até uma flauta formavam uma bela decoração. Rústica e sóbria ao mesmo tempo, trazia-lhe estranhas lembranças. Com o pé na porta ainda pensou e sorriu para si mesmo. Engraçado o que aquele índio foi fazer com o meu relógio.
Esta estória, não necessariamente verdadeira, porém, de toda evidência, bastante plausível, demonstra alguns dos importantes sentidos da questão do Etnocentrismo.
Em primeiro lugar, não é necessário ser nenhum detetive ou especialista em Antropologia Social (ou ainda pastor) para perceber que, neste choque de culturas, os personagens de cada uma delas fizeram, obviamente, a mesma coisa. Privilegiaram ambos as funções estéticas, ornamentais, decorativas de objetos que, na cultura do "outro", desempenhavam funções que seriam principalmente técnicas. Para o Pastor- o uso inusitado do seu relógio causou tanto espanto quanto o que causaria ao jovem índio conhecer o uso que o pastor deu a seu arco e flecha. Cada um "traduziu" nos termos de sua própria cultura o significado dos objetos cujo sentido original foi forjado na cultura do "outro". O etnocentrismo passa exatamente por um julgamento do valor da cultura do "outro" nos termos da cultura do grupo do "eu".
Em segundo lugar, esta estória representa o que se poderia chamar, se isso fosse possível, de um etnocentrismo "cordial", já que ambos - o índio e o pastor - tiveram atitudes concretas sem maiores conseqüências. No mais das vezes, o etnocentrismo implica uma apreensão do "outro" que se reveste de uma forma bastante violenta. Como já vimos, pode colocá-lo como "primitivo", como "algo a ser destruído", como "atraso ao desenvolvimento", (fórmula, aliás, muito comum e de uso geral no etnocídio, na matança dos índios).
Assim, por exemplo, um famoso cientista do início do século, Hermann von Ihering, diretor do Museu Paulista, justificava o extermínio dos índios Caingangue por serem um empecilho ao desenvolvimento e à colonização das regiões do sertão que eles habitavam. Tanto no presente como no passado, tanto aqui como em vários outros lugares, a lógica do extermínio regulou, infinitas vezes, as relações entre a chamada “civilização ocidental” e as sociedades tribais. Isso lembra o comentário, tristemente exemplar, de uma criança, de um grande centro urbano, que, de tanto ouvir absurdos sobre o índio, seja em casa, seja nos livros didáticos, seja na indústria cultural, acabou por defini-los dizendo: "o índio é o maior amigo do homem".
Em terceiro lugar, a estória ainda ensina que o "outro" e sua cultura, da qual falamos na nossa
sociedade, são apenas uma representação, uma imagem distorcida que é manipulada como bem entendemos. Ao "outro" negamos aquele mínimo de autonomia necessária para falar de si mesmo. Tudo se passa como se fôssemos autores de filmes e livros de ficção científica onde podemos falar e pensar o quanto é cruel, grotesca e monstruosa uma civilização de marcianos que capturou nosso foguete.
Também, porque somos os autores destes filmes e livros, nada nos impede de criarmos um marciano simpático, inteligente e superpoderoso que com incrível perícia salva a Terra de uma colisão fatal com um meteoro gigante. Claro, como o marciano não diz nada, posso pensar dele o que quiser.
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Assim, de um ponto de vista do grupo do “eu” os que estão de fora podem ser brabos e traiçoeiros bem como mansos e bondosos. Aliás, "brabos" e "mansos" são dois termos que muitas vezes foram empregados no Brasil para designar o "humor" de determinados animais e o "estado" de várias tribos de índios ou de escravos negros.
A figura do louco, por exemplo, na nossa sociedade, é manipulada por uma série de representações que oscilam entre estes dois pólos, sendo denegrida ou exaltada - como o marciano - ao sabor das intenções que se tenha. Isto não só ao longo da história, mas também em diferentes contextos no presente. A expressão "fulano é muito louco" pode ser elogiosa em certos casos e pejorativa em outros. Em alguns momentos da história o louco foi acorrentado e torturado, em outros, foi feito portador de uma palavra sagrada e respeitada.
Aqueles que são diferentes do grupo do eu - os diversos "outros" deste mundo - por não poderem dizer algo de si mesmos, acabam representados pela ótica etnocêntrica e segundo as dinâmicas ideológicas de determinados momentos.
Na nossa chamada "civilização ocidental", nas sociedades complexas e industriais contemporâneas, existem diversos mecanismos de reforço para o seu estilo de vida através de representações negativas do "outro". O caso dos índios brasileiros é bastante ilustrativo, pois alguns antropólogos estudiosos do assunto já identificaram determinadas visões básicas, determinados estereótipos, que são permanentemente aplicados a estes índios.
Eu mesmo realizei, há alguns anos, um estudo sobre as imagens do índio nos livros didáticos de História do Brasil. Estes livros têm importância fundamental na formação de uma imagem do índio, pois são lidos e, mais ainda, estudados por milhões de alunos pré-universitários nos mais diversos recantos do país.
Alguns destes livros alcançam tiragens altíssimas e já tiveram mais de duzentas edições. Através deles circula um "saber" altamente etnocêntrico - honrosas exceções sobre os índios.
Os livros didáticos, em função mesmo do seu destino e de sua natureza, carregam um valor de autoridade, ocupam um lugar de supostos donos da verdade. Sua informação obtém este valor de verdade pelo simples fato de que quem sabe seu conteúdo passa nas provas. Nesse sentido, seu saber tende a ser visto como algo "rigoroso", “sério” e "científico". Os estudantes são testados, via de regra, em face do seu conteúdo, o que faz com que as informações neles contidas acabem se fixando no fundo da memória de todos nós. Com ela se fixam também imagens extremamente etnocêntricas.
Alguns livros colocavam que os índios eram incapazes de trabalhar nos engenhos de açúcar por serem indolentes e preguiçosos. Ora, como aplicar adjetivos tais como "indolente" e "preguiçoso" a alguém, um povo ou uma pessoa, que se recuse a trabalhar como escravo, numa lavoura que não é a sua, para a riqueza de um colonizador que nem sequer é seu amigo: antes, muito pelo contrário, esta recusa é, no mínimo, sinal de saúde mental.
Outro fato também interessante é que um número significativo de livros didáticos começa
com a seguinte informação: os índios andavam nus. Este "escândalo" esconde, na verdade, a nossa noção absolutizada do que deva ser uma roupa e o que, num corpo, ela deve mostrar e esconder. A estória do nosso amigo missionário serviu para a constatação das dificuldades de definir o sentido de um objeto - o relógio ou o arco - fora dos seus contextos culturais. Da mesma maneira, nada garante que os índios andem nus a não ser a concepção que eles mesmos tenham de nudez e vestimenta.
Assim, como o "outro" é alguém calado, a quem não é permitido dizer de si mesmo, mera imagem sem voz, manipulado de acordo com desejos ideológicos, o índio é, para o livro didático, apenas uma forma vazia que empresta sentido ao mundo dos brancos. Em outras palavras, o índio é "alugado" na História do Brasil para aparecer por três vezes em três papéis diferentes.
O primeiro papel que o índio representa é no capítulo do descobrimento. Ali, ele aparece como “selvagem”, "primitivo", "pré-histórico", "antropófago", etc. Isto era, para mostrar o quanto os portugueses colonizadores eram "superiores" e “civilizados”.
O segundo papel do índio é no capítulo da catequese. Nele o papel do índio é o de "criança", "inocente", "infantil", "almas virgens", etc., para fazer parecer que os índios é que precisavam da “proteção” que a religião lhes queria impingir.
O terceiro papel é muito engraçado. É no capítulo "Etnia brasileira". Se o índio já havia aparecido como "selvagem" ou "criança", como iriam falar de um povo - o nosso - formado por portugueses, negros e
"crianças" ou um povo formado por portugueses, negros e "selvagens"? Então aparece um novo papel e o índio, num passe de mágica etnocêntrica, vira "corajoso", "altivo", cheio de "amor à liberdade".
Assim são as sutilezas, violências, persistências do que chamamos etnocentrismo. Os exemplos se multiplicam nos nossos cotidianos. A "indústria cultural" - TV, jornais, revistas, publicidade, certo tipo de cinema, rádio - está freqüentemente fornecendo exemplos de etnocentrismo. No universo da indústria cultural é criado sistematicamente um enorme conjunto de "outros" que servem para reafirmar, por oposição, uma série de valores de um grupo dominante que se autopromove a modelo de humanidade.
Nossas próprias atitudes frente a outros grupos com os quais convivemos nas grandes cidades são, muitas vezes, repletas de resquícios de atitudes etnocêntricas. Rotulamos e aplicamos estereótipos através dos quais nos guiamos para o confronto cotidiano com a diferença. As idéias etnocêntricas que temos sobre as "mulheres", os “negros”, os "empregados", os "paraíbas de obra", os "colunáveis", os "doidões", os "surfistas", as "dondocas", os "velhos", os "caretas", os "vagabundos", os gays e todos os demais "outros"
com os quais temos familiaridade, são uma espécie de "conhecimento" um "saber", baseado em formulações ideológicas, que no fundo transforma a diferença pura e simples num juízo de valor perigosamente etnocêntrico.
Mas, existem idéias que se contrapõem ao etnocentrismo. Uma das mais importantes é a de relativização.
Quando vemos que as verdades da vida são menos uma questão de essência das coisas e mais uma questão de posição: estamos relativizando. Quando o significado de um ato é visto não na sua dimensão absoluta mas no contexto em que acontece: estamos relativizando. Quando compreendemos o "outro" nos seus próprios valores e não nos nossos: estamos relativizando. Enfim, relativizar é ver as coisas do mundo como uma relação capaz de ter tido um nascimento, capaz de ter um fim ou uma transformação.
Ver as coisas do mundo como a relação entre elas. Ver que a verdade está mais no olhar que naquilo que é olhado. Relativizar é não transformar a diferença em hierarquia, em superiores e inferiores ou em bem e mal, mas vê-la na sua dimensão de riqueza por ser diferença.
A nossa sociedade já vem, há alguns séculos, construindo um conhecimento ou, se quisermos, uma ciência sobre a diferença entre os seres humanos. Esta ciência chama-se Antropologia Social. Ela, como de resto quase todas as atitudes que temos frente ao "outro", nasceu marcada pelo etnocentrismo. Ela também possui o compromisso da procura de superá-lo. Diferentemente do saber de "senso comum", o movimento da Antropologia é no sentido de ver a diferença como forma pela qual os seres humanos deram soluções diversas a limites existenciais comuns. Assim, a diferença não se equaciona com a ameaça, mas com a alternativa. Ela não é uma hostilidade do "outro', mas uma possibilidade que o
"outro" pode abrir para o "eu".
(Este texto foi obtido pela Internet)

(do Livro: "O que é Etnocentrismo", Everardo Rocha, Ed. Brasiliense, 1984, pág. 7-22)

Antropologia:

Fonte: http://www.suapesquisa.com/religiaosociais/antropologia.htm

Esta ciência estuda, principalmente, os costumes, crenças, hábitos e aspectos físicos dos diferentes povos que habitaram e habitam o planeta.

Portanto, os antropólogos estudam a diversidade cultural dos povos. Como cultura, podemos entender todo tipo de manifestação social. Modos, hábitos, comportamentos, folclore, rituais, crenças, mitos e outros aspectos são fontes de pesquisa para os antropólogos.

A estrutura física e a evolução da espécie humana também fazem parte dos temas analisados pela Antropologia. 

Os antropólogos utilizam, como fontes de pesquisa, os livros, imagens, objetos, depoimentos entre outras. Porém, as observações, através da vivência entre os povos ou comunidades estudadas, são comuns e fornecem muitas informações úteis ao antropólogo.

Antropólogos famosos da história:

Bronislaw Malinowski (1884-1942) – valorizou o trabalho minucioso e o convívio com povos nativos como forma de obter informações para o trabalho antropológico.

Franz Boas (1858-1942) – estudou vários povos indígenas dos Estados Unidos.

Claude Levi-Strauss (1908-) – criador do estruturalismo. Sua obra principal foi “O pensamento selvagem”.





Com base nestas definições, responda:

Definição de etnia:
Fonte: http://dicionarioinformal.com.br/%C3%A9tnico/
Relativo ou pertencente a povo ou raça

Etnia-População ou grupo social que apresenta homogeneidade cultural e linguística, compartilhando história e origem comuns

Nem as relações étnicas e mesmo familiares dos povos.
Sinônimos: raça, etnia e povo


Exercícios:

1) Com base nos textos acima é correto afirmar que em Dourados existem:
(    ) várias etnias;                 (    ) somente uma etnia;

2) São exemplos de grupos étnicos em Dourados:
(a) os indígenas;    (b) colônia italiana; colônia paraguaia; colônia japonesa;

3) São exemplos de afirmação de identidade cultural de alguns povos em Dourados:
(a) CTN e CTG;      (b) AABB e CTN;  (c) CTG e ACED; (d) CTG E SIMTED; (e) CTN e ACED;

4) Relacione alguns hábitos de origem indígena em Dourados.
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5) O cristianismo é uma religião que foi assimilada por diversas etnias no Brasil e no mundo?
(a) certo;  (b) errado:

6) A intolerância religiosa, cultural pode acarretar que tipos de problemas?
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7) O que é  etnocídio? Relacione exemplos de casos de etnocídios ocorridos no Brasil e no Mundo?
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8) Dê exemplos de ações que estão sendo desenvolvidas no Brasil, em Mato Grosso do Sul e em Dourados patrocinadas pelo Estado, visando tornar mais harmônicas a convivência entre os diferentes povos? Estes exemplos devem ser pensados com relação a legislação, cultura, religião, etc.
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9) Dê exemplos de que forma os conflitos decorrentes da diversidade cultural podem se materializar na sala de aula.
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